quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Dos (des)afectos das crianças


Toda a gente sabe que isto de ser Pai tem muito que se lhe diga. Que é das tarefa mais difíceis com que um ser humano se pode deparar e que nem todas as pessoas poderão estar à altura dos desafios que ela acarreta. Isto para não falar da enorme responsabilidade que é conceber, criar e educar outro ser humano.

Neste contexto, enquadro-me naquela que penso ser a maioria: a dos Pais que fazem o melhor que podem, que colocam os filhos à frente de tudo e todos mas que raramente têm a sensação de dever cumprido - devido a um trabalho que lhes absorve cada vez mais tempo e a um ritmo de vida que os impede, na maior parte das vezes, de stop and smell the flowers. Que é como quem diz, de gozar os filhos como deve ser.

Assumindo-me, portanto (de forma sincera e algo envergonhada), como uma Mãe imperfeita, faz-me imensa confusão assistir às manifestações de desafecto de muitas crianças com quem me cruzo. Faz-me confusão levar os meus filhos ao colégio e receber beijos e abraços de miúdos que, para todos os efeitos, não me conhecem de lado nenhum; ter uma série de colegas de escola a implorarem-me para vir cá à casa sempre que há uma festa de anos... e, como já aconteceu, ter crianças a pedirem-me para ser Mãe delas. À frente da própria Mãe. Logo a mim, que sou uma Mãe igual a tantas outras.

Se a isto acrescentarmos que a esmagadora maioria estas crianças provem de um meio (aparentemente) favorecido, a coisa torna-se preocupante. É que os meus filhos, apesar de imperfeitos como eu, nunca fariam isto. E eu até tenho medo de imaginar o que poderá estar por detrás de tanta falta de afecto.

8 comentários:

Maggie disse...

a minha mais velha faz mto isso, adora todos os pais dos amigos, pendura-se em todos e eles tbem gostam dela, e nao somos de meios defavorecidos mas nao temos mto tempo, tbem e verdade.

Bjos
Maggie

Mary disse...

Olá, Maggie,

Mas isso é completamente diferente! O meu filho também fala com toda a gente (costumo dizer que até conversa com os bancos de jardim), mas era incapaz de ser pendurar no pescoço de um estranho - e muito menos de lhe pedir para ser Pai/Mãe dele. Assim como a tua filha, aposto!

Bjs :-*

Maggie disse...

hummm a minha mais velha e uma vendida, olha nem sei... hihihihi


Bjos
Maggie

lucia disse...

Muito provavelmente porque serás uma mãe como tantas outras mas também uma mãe mais que muitas outras! Se é que me faço entender!

vidasdanossavida disse...

Essa de pedir para ser pai/mãe é que é mais estranha... Mas há alguns miúdos da creche do A. que me saltam também para o pescoço, com o meu filho logo a dizer: a mãe é minha! Por acaso, não sei se ele abarça os outros pais que lá vão, mas eu fico sempre por ali, falo com eles... E o meu filho é o miúdo mais sociável que conheço e por ele ia com alguns amiguinhos para casa. Bjs

Floripes Antunes disse...

Que tristeza...

Singular Morena disse...

De facto, que estará por detrás disso? Inquietante!!
Mas acredito na intuição apurada das crianças, se lhe pedem para ser mãe delas, é porque a sentem uma mãe muito boa! Tenho a certeza que vontade, pelo menos, não lhe faltará... e isso é que meio caminho andado para o ser.
Também não vejo o meu filho dizer isso a ninguém!

Este Blogue precisa de um nome disse...

:(