No outro dia entrámos no elevador de um centro comercial e deparámo-nos com uma cena fora do comum: um Pai tentava que filho (que teria uns 10, 12 anos) saísse do elevador - mas ele só gritava que queria ir para o -1, recusando-se a sair noutro andar que não aquele. Como não conseguiu convencê-lo, nós entrámos e, conforme o elevador começou a descer, o Pai lá lhe explicou que tinham vindo do -1 mas que agora precisavam de ir a outros andares. Novo ataque. Até que, a certa altura, os meus filhos repararam que o mostrador digital do elevador estava avariado e que o -1 (para onde nós íamos) parecia um -8. Nova crise, ainda pior que a anterior: que o -1 tinha desaparecido e que ia ficar ali para sempre.
Quando finalmente saímos (Pai e filho ainda ficaram no elevador), os meus filhos interrogaram-nos sobre o que se passaria com aquela criança. E nós respondemos que muito provavelmente teria autismo, "
uma alteração genética que torna as pessoas mais inteligentes que a média mas que faz com que tenham alguma dificuldade em se relacionar com os outros, assim como com o mundo que as rodeia."* Conseguimos identificar os sintomas (acho eu) porque já vimos e lemos muito sobre o assunto - e porque existem filmes e séries como
Rain Man ou
Parenthood que nos alertam para estas coisas através de personagens como
Raymond Babbitt,
Max Braverman e
Hank Rizzoli, que cumprem o importante papel de consciencializar as massas para os desafios que implica lidar com o autismo nas suas mais variadas formas.
Tudo isto a propósito de hoje se assinalar o
Dia Mundial da Consciencialização do Autismo, sobre o qual poderão saber mais informações
aqui. E de todos termos a obrigação de respeitar e apoiar as tanto as famílias (
que são obrigadas a gastar o dobro dos apoios que recebem) como quem sofre desta alteração. Uma grande vénia para estas pessoas, é o que vos digo.
* Nota posterior: Esta foi a explicação que dei aos meus filhos naquela altura, explicação essa que tentei que não fosse totalmente pejorativa. Tentei (como tento sempre) evitar palavras como "doença" ou "problema" e realçar algum aspecto positivo para que o quadro não resultasse, aos olhos deles, completamente negativo. A parte de os autistas terem todos uma inteligência acima da média já foi (oportunamente) contestada pela Pipa na caixa de comentários. A ela, aqui deixo o meu agradecimento.